ERA EXATAMENTE O QUE EU IA DIZER - por Alex

 Troca de Mitos

Olá amigos chavesmaníacos. Depois de certo hiato, estou de volta para tratar de um assunto bem interessante, referente aos personagens tão amados por nós. Vocês todos já devem ter passado pela seguinte situação, de perguntar para alguém, ou de serem perguntados, por exemplo, qual o melhor episódio de Chaves. A resposta chega a ser quase unânime em alguns casos, em ênfase maior à saga de Acapulco. Ou também outro exemplo, de se lançar a questão de qual é o melhor personagem da série. Não chegando a ser tão genérico quanto na pergunta anterior, a resposta acaba sempre dando a grande parte do fanatismo à personagem Seu Madruga interpretado por Ramón Valdez, seguindo em alguns casos, por Quico, interpretado por Carlos Villagran. Com esse começo, algumas pessoas chegam a concluir que Chespirito sempre foi o protagonista, mas nunca o motivo das risadas mais altas e estridentes. Mas deixaremos isso de lado, pois nunca devemos tratar uma manifestação de cultura, como televisão, arte, teatro, como um campo para disputas de preferências internas.

O assunto que quero por em questão é bem mais simples. Mas antes, quero fazer igual no parágrafo anterior, e lançar uma pergunta: qual desses episódios é aquele que mais prende sua atenção quando você assiste, Vamos todos a Acapulco ou Matando Aula no Domingo? A resposta se salta à vista (e olha que dessa vez, os garotos nem jogaram cola para todo lado). Está certo que é uma certa covardia comparar o primeiro com qualquer outro, pois o cenário, aliado à um roteiro engraçadíssimo, com um final emocionante, tornam-no insuperável em preferência. Mas não só ele, como todos os episódios gravados até 1978, são aqueles que sempre cativam mais o público do que episódios mais novos. Agora entrarei no ponto central da conversa que comecei a discutir no começo dessa coluna. Ramon Valdez e Carlos Villagran, que são dois dos mais amados pelo público, foram infelizmente os primeiros a sair do elenco. Ocorrem muitos boatos sobre o que motivou a saída de Villagran da série, mas isso deixaremos para o próximo programa, nessa mesma hora e neste mesmo canal. O fato é que, a saída dos dois abalou profundamente o andamento do enredo do seriado. Chespirito era querido já, a essa altura, em todo o mundo, e não podia deixar que o carro parasse. Então naquele fim de 1978, começaram as mudanças. Surgiu uma personagem, um carteiro preguiçoso, que conquistou uma legião de fãs com “(...) é que eu quero evitar a fadiga”. No começo, o objetivo dele não era substituir ninguém que saira e sim, suprir o elenco, que estava pequeno, não só devido à saída das duas protagonistas já citadas, mas sim, pela falta de figurantes, que não tinha mais nos episódios mais novos. Isso também ocorreu com a personagem Pópis, que já existia, mas que, com a falta de Quico, passou a aparecer bem mais. Mas então começaram a surgir sinais de que a emenda não tinha dado tão certo, e Chespirito se viu obrigado a por Pópis e Jaiminho com status de substitutos de Quico e Seu Madruga. Nos episódios no começo de 1981, Pópis já está morando com Dona Florinda e em 1982, foi gravado um episódio chamado Senhor Garabito. Nele, Jaiminho passa a residir na vila, e Dona Clotilde passa a partir daí a ser tão apaixonada por ele quanto era por Seu Madruga. Logo de cara, apesar de Chaves ainda continuar sendo o seriado preferido no Brasil, no México, e em diversas outras partes, essas emendas não ficaram boas.

Mas, muitos irão argumentar: e a volta de Ramón Valdez ao elenco entre 1981 e 1982? Bom, isso é um caso a parte, pois, eu particularmente acho que não ficou com a mesma essência de antes, pois a presença de Jaiminho como morador da vila, criou-se um certo “conflito” de quem ainda era o centro. Fora a ausência de Quico, afinal, quem o Madruga iria beliscar? Tanto que durou tão pouco o retorno. Mas isso é apenas uma opinião pessoal.

Concluindo. Não só na televisão, como em qualquer outro lugar, ninguém pode substituir ninguém de uma maneira agradável a todos. Durante os anos 80, a série adquiriu um aspecto peculiar, no qual, Jaiminho e Pópis tentaram sem êxito, serem “remakes” das personagens da outrora. Mas isso foi fundamental para a série, pois mesmo com as influências americanas que estavam estourando na década de 80, Chespirito ainda conseguiu manter suas gravações até 1995, da mesma maneira como fazia na década de 70. E apesar de uma pequena parcela do público recusar até hoje o seu trabalho mais recente (1980-1995), a força de vontade que Chespirito manteve foi genial, como tudo que ele sempre fez em seus quase 40 anos de carreira. O insucesso acontece em todos os lugares, é inevitável, mas a essência, só os gênios conseguem manter.

 Um grande abraço e até a próxima!

Alex da Silva Neres

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