Troca
de Mitos
Olá
amigos chavesmaníacos. Depois de certo hiato, estou de
volta para tratar de um assunto bem interessante,
referente aos personagens tão amados por nós. Vocês
todos já devem ter passado pela seguinte situação, de
perguntar para alguém, ou de serem perguntados, por
exemplo, qual o melhor episódio de Chaves. A resposta
chega a ser quase unânime em alguns casos, em ênfase
maior à saga de Acapulco. Ou também outro exemplo, de se
lançar a questão de qual é o melhor personagem da série.
Não chegando a ser tão genérico quanto na pergunta
anterior, a resposta acaba sempre dando a grande parte
do fanatismo à personagem Seu Madruga interpretado por
Ramón Valdez, seguindo em alguns casos, por Quico,
interpretado por Carlos Villagran. Com esse começo,
algumas pessoas chegam a concluir que Chespirito sempre
foi o protagonista, mas nunca o motivo das risadas mais
altas e estridentes. Mas deixaremos isso de lado, pois
nunca devemos tratar uma manifestação de cultura, como
televisão, arte, teatro, como um campo para disputas de
preferências internas.
O
assunto que quero por em questão é bem mais simples. Mas
antes, quero fazer igual no parágrafo anterior, e lançar
uma pergunta: qual desses episódios é aquele que mais
prende sua atenção quando você assiste, Vamos todos a
Acapulco ou Matando Aula no Domingo? A resposta se salta
à vista (e olha que dessa vez, os garotos nem jogaram
cola para todo lado). Está certo que é uma certa
covardia comparar o primeiro com qualquer outro, pois o
cenário, aliado à um roteiro engraçadíssimo, com um
final emocionante, tornam-no insuperável em preferência.
Mas não só ele, como todos os episódios gravados até
1978, são aqueles que sempre cativam mais o público do
que episódios mais novos. Agora entrarei no ponto
central da conversa que comecei a discutir no começo
dessa coluna. Ramon Valdez e Carlos Villagran, que são
dois dos mais amados pelo público, foram infelizmente os
primeiros a sair do elenco. Ocorrem muitos boatos sobre
o que motivou a saída de Villagran da série, mas isso
deixaremos para o próximo programa, nessa mesma hora e
neste mesmo canal. O fato é que, a saída dos dois abalou
profundamente o andamento do enredo do seriado.
Chespirito era querido já, a essa altura, em todo o
mundo, e não podia deixar que o carro parasse. Então
naquele fim de 1978, começaram as mudanças. Surgiu uma
personagem, um carteiro preguiçoso, que conquistou uma
legião de fãs com “(...) é que eu quero evitar a
fadiga”. No começo, o objetivo dele não era substituir
ninguém que saira e sim, suprir o elenco, que estava
pequeno, não só devido à saída das duas protagonistas já
citadas, mas sim, pela falta de figurantes, que não
tinha mais nos episódios mais novos. Isso também ocorreu
com a personagem Pópis, que já existia, mas que, com a
falta de Quico, passou a aparecer bem mais. Mas então
começaram a surgir sinais de que a emenda não tinha dado
tão certo, e Chespirito se viu obrigado a por Pópis e
Jaiminho com status de substitutos de Quico e Seu
Madruga. Nos episódios no começo de 1981, Pópis já está
morando com Dona Florinda e em 1982, foi gravado um
episódio chamado
Senhor Garabito. Nele, Jaiminho passa a residir
na vila, e Dona Clotilde passa a partir daí a ser tão
apaixonada por ele quanto era por Seu Madruga. Logo de
cara, apesar de Chaves ainda continuar sendo o seriado
preferido no Brasil, no México, e em diversas outras
partes, essas emendas não ficaram boas.
Mas,
muitos irão argumentar: e a volta de Ramón Valdez ao
elenco entre 1981 e 1982? Bom, isso é um caso a parte,
pois, eu particularmente acho que não ficou com a mesma
essência de antes, pois a presença de Jaiminho como
morador da vila, criou-se um certo “conflito” de quem
ainda era o centro. Fora a ausência de Quico, afinal,
quem o Madruga iria beliscar? Tanto que durou tão pouco
o retorno. Mas isso é apenas uma opinião pessoal.
Concluindo. Não só na televisão, como em qualquer outro
lugar, ninguém pode substituir ninguém de uma maneira
agradável a todos. Durante os anos 80, a série adquiriu
um aspecto peculiar, no qual, Jaiminho e Pópis tentaram
sem êxito, serem “remakes” das personagens da outrora.
Mas isso foi fundamental para a série, pois mesmo com as
influências americanas que estavam estourando na década
de 80, Chespirito ainda conseguiu manter suas gravações
até 1995, da mesma maneira como fazia na década de 70. E
apesar de uma pequena parcela do público recusar até
hoje o seu trabalho mais recente (1980-1995), a força de
vontade que Chespirito manteve foi genial, como tudo que
ele sempre fez em seus quase 40 anos de carreira. O
insucesso acontece em todos os lugares, é inevitável,
mas a essência, só os gênios conseguem manter.
Um
grande abraço e até a próxima!
Alex
da Silva Neres
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