Olá Chavesmaníacos. Antes de lançar mais uma coluna, quero agradecer a todos que vêm lendo e elogiando (ou até criticando, já que toda crítica mesmo que não seja construtiva é um aprendizado) essa simples coluna que escrevo toda semana. Estou trabalhando para deixá-la cada dia melhor e expor cada vez mais a melhor análise do mundo CH. Um grande abraço e boa leitura.
Ó... E agora quem poderá me explicar?
Muitos de vocês que assistem Chaves todos os dias já devem ter passado pela situação seguinte situação: assistir um episódio duplo ou triplo e quando qualquer um das personagens fala “vamos ver o que vai acontecer no nosso próximo programa, nessa mesma hora e nesse mesmo canal”, é criada aquela enorme expectativa, mesmo sabendo tudo o que vai acontecer. Os episódios com continuidade, como possuem um script maior e uma maior duração, e por, infelizmente, passarem com menos freqüência do que os outros acabam tendo uma maior audiência entre todos os telespectadores, pois assistir uma parte e perder a outra é algo totalmente sem sentido. É como se as piadas fossem “cortadas pela metade”.
Pena que, em algumas ocasiões, essa última afirmação não pode ser concretizada, afinal muitos episódios não vem para o Brasil por integral, ou seja, falta uma parte ou outra. Em muitas “meias-sagas”, isso nem é percebido e muitos pensam que o episodio em questão é apenas um episódio sem continuidade. O exemplo mais claro disso talvez seja o episódio A Venda da Vila. Este episódio foi gravado em duas partes, mas somente a primeira parte veio para o Brasil. Como nesse episódio ninguém fala a frase que eu citei no começo da coluna, da a impressão que a saga acaba naquela cena no qual todo mundo vê Seu Barriga negociando com o Senhor Calvino e que, conseqüentemente, a vila é vendida. Na segunda parte, que não passa em terras brasileiras, todo o mistério é explicado. No meio de muitas confusões, inclusive Seu Calvino se apaixonando por Dona Clotilde, é explicado que o “carequinha” queria comprar a vila para demoli-la montar um bloco de apartamentos e que, Seu Barriga sabendo disso, ele revela que o eletrocardiograma não é dele. No fim a vila, não é vendida e todos comemoram a decisão felizes. O final do episodio é super alegre, uma verdadeira festa. Mas o pior, foi que, nunca foi encontrado um motivo para esse episodio não ter vindo pra ca. O episodio não possui nenhuma canção com difícil adaptação ou “mexicanismos” que seriam impossíveis de traduzir para o português do Brasil. A explicação mais provável é que, no meio do episodio, é explicado, por que Chaves é chamado por muitos de Chaves do Oito, por causa do número de sua casa. O SBT sempre tentou evitar ao máximo que o seriado fosse chamado de Chaves do Oito aqui no país, restringindo seu nome apenas à Chaves. Pode não ser isso, ou seja: o SBT simplesmente pode não ter comprado por que não quis. É possível, mas não vamos tirar conclusões precipitadas de algo tão enigmático.
A saga Um Astro Cai na Vila, com a participação do ilustre Hector Bonilla, foi outra vítima desse mal. Mas, nesse caso, a primeira parte veio para o Brasil, mas foi totalmente “mutilada”, para que as duas partes fossem reduzidas a apenas uma. Só que a edição acabou sendo mal feita de certa maneira, pois os cortes ficam muito evidentes no decorrer no capítulo e passam muitos poucos trechos da 1ª parte. O narrador tentou compensar os inúmeros cortes que foram feitos, falando como o ator chegou ao cortiço, mas nem isso serviu para disfarçar.
Outras duas sagas, que não vieram completa para ca acabaram por completar uma a outra, formando uma “simbiose”: Abre a Torneira, que veio sem a 2ª parte e Leite de Burra, que aportou aqui sem a 1ª. O SBT “criou” a saga Reforma na Vila pegando a primeira parte de Abre a Torneira e a segunda de Leite de Burra. A diferença se salta a vista nos cenários, nos efeitos de som e na dublagem. A explicação para esses episódios não virem completos? Até hoje ninguém sabe. Há outros inúmeros episódios que podemos citar que vieram incompletos e até hoje ninguém conseguiu explicar por que, como por exemplo, Os Toureadores Versão 2, que passa regularmente no Brasil, mas apenas a parte 2 e O Castigo Vem a Cavalo, que veio sem a primeira metade.
Mas muitos desses “cortes” possuem explicação detalhada. O Festival da Boa Vizinhança versão 3, possui 4 partes, mas que o Brasil nunca viu a última, assim como as últimas partes de Branca de Neve, Os Piratas e o Alfaiate Valente de Chapolin não vieram, pois estas possuíam trocadilhos ou canções que, estando em espanhol, seriam impossíveis de traduzir ou adaptar para o nosso idioma (afinal, como o brasileiro definiria uma zarzuela?).
O SBT tem culpa? Muitos dirão que sim, mas não podemos responsabilizar a emissora de Silvio Santos por todos esses desfalques, pois em alguns casos, uma parte ou outra nem fez tanta falta, como nas duas sagas que citei por último no parágrafo acima. Nesses casos o “disfarce” ficou bem feito e o próprio espectador acaba criando um “começo” baseado em falas ou cenas do episodio transmitido. Todavia esses fatos, tendo ou não explicação, como eu disse no começo da coluna, faz com que “a piada acabe vindo pela metade”, pois a maioria desses episódios, os atores falam que a historia continua no próximo programa e esse próximo programa acaba nunca chegando e todos ficam se perguntando, o que acontecerá no fim dessa saga. Como todos os casos citados acima são irreversíveis, a única maneira de achar a explicação acaba sendo a Internet, no qual a maioria dos telespectadores de Chaves não possui completo acesso, e no fim, a maior parte das pessoas fica se perguntando a si mesmo: Ó... E agora quem poderá me explicar?
Um abraço a todos e agente se ver no próximo programa, nessa mesma hora e nesse mesmo canal (não se preocupem que farei qualquer adaptação para que minha saga de opiniões sempre esteja completa).
Alex da Silva Neres