EU ACHO...

    Olá pessoal, é com o maior prazer que eu estréio minha coluna, nesse grande site, para mim, o melhor do momento no assunto Chespirito.
Creio que alguns de vocês já devem me conhecer das épocas de ChespiritoBR, mas para quem ainda não me conhece eu sou o Joanilson (isso é apelido, não nome), um garoto de 19 anos, que aprecia as obras de Chespirito e já esteve em alguns sites sobre o assunto, retornando agora.
Feita a devida introdução vamos ao que interessa:

A ganância de Chespirito

Introdução

Eu sei que existem muitos fãs deste velho (inclusive eu), mas nem tudo são flores na carreira dele, apesar do grande sucesso, tem seu lado negativo, afinal ele é um ser humano e pode errar, assim como qualquer um.
Vamos começar pelo começo, o ano é 1979. Em 1978, Chespirito começa seu romance com Florinda Meza e logo no fim do ano Carlos Villagrán sai do elenco, teria esse affair alguma influência na saída de Quico? O fato é que Florinda e Maria Antonieta nunca foram muito com a cara do Villagrán e quando falam sobre a saída dele, dizem que ele queria ganhar mais do que os outros, que ele estava se achando. A versão de Villagrán é de que alguns atores do elenco (Maria e Florinda, possivelmente RGB também) estariam com inveja dele, pois Quico era o personagem feito para ser vilão e estava tendo um sucesso acima do protagonista da série.
É compreensível que RGB queira continuar a série sem Quico, afinal, já havia passado um período sem Chiquinha e nem por isso decaiu. E assim continuava a série, o primeiro episódio de 79 foi um sucesso, o aclamado “Vamos ao Cinema”, está entre os episódios mais engraçados da série. Para nosso azar, a seqüência da série não teve o mesmo êxito. Os episódios seguintes não eram ruins, na maioria dos casos, mas Nhonho e Pópis não tinham a mesma graça que Quico, mas assim foi indo até a saída de Ramón Valdez (Seu Madruga), essa perda foi fundamental para o declínio da série.
Os episódios seguintes à saída de Ramón são bem abaixo da média, pois 2 dos principais personagens ausentes era algo muito significativo. Para evitar a queda, RGB resolve adicionar 2 personagens à série (Jaiminho e Dona Neves) e 1 novo cenário (O Restaurante da Dona Florinda), tentando fazer assim com que não se percebesse a ausência dos dois grandes comediantes que haviam saído.


O erro de Chespirito

Não devo dizer que Chaves tinha a mesma graça que antes, mas estava passando por mudanças e tenho que admitir que alguns episódios do Restaurante são bem engraçados, assim como: O Protesto, Ratos no Restaurante, O atravancamento de Lancherrose entre alguns outros.
O erro maior de RGB foi mudar o cenário, mudar alguns personagens, mas não mudar os roteiros, continuou com os roteiros baseado nos personagens ausentes e que não se encaixava muitas vezes no perfil do personagem a fazer o papel.
E a série não conseguiu mais voltar a ser o que era em 78, tanto que ao final do ano, encerra-se o programa e começa então o programa Chespirito.


Programa Chespirito, a salvação?

A proposta do programa era trazer quadros variados com os atores das séries Chaves e Chapolin e devo dizer que em seu primeiro ano o programa foi um sucesso.
A mudança foi muito importante para o êxito inicial do programa, que ao invés de programas monótonos e baseado em atores que já não estavam mais, agora o programa tinha novos roteiros (claro que havia um ou outro Remake), novos quadros que não haviam sido feitos com os atores ausentes, o que fazia com que a falta deles fosse muito amenizada e o mais importante, eram quadros curtos, em 1 só programa de 40 minutos havia de 4 à 6 quadros (fora um ou outro especial de 40 minutos).
Até que chega o ano de 1981 e a volta de Ramón Valdez ao elenco.


Ramón, a salvação?

Com a volta de Ramón, na minha opinião o melhor humorista do grupo, ocorreram algumas pequenas mudanças no programa. Com a volta dele, RGB sentiu que poderia voltar a fazer episódios de 20 e porque não de 40 minutos?
É ai então que o programa antes cheio de pequenos quadros começa a virar um programa de quadros mais longos e menos quadros por programa. E RGB não estava errado, realmente as séries voltaram a ter uma boa parte da graça que havia perdido.
Só o que RGB não contava era a saída (novamente) de Ramón no final de 1981.


Saída de Ramón, loucura, ganância e decadência

A saída de Ramón novamente foi algo muito difícil para RGB, foi um golpe inesperado e que ele nunca mais conseguiu se recuperar.
Para suprir a ausência de Seu Madruga, volta então o já requisitado anteriormente Jaiminho. Mas ele volta diferente, volta como Don Jaimito (Seu Jaiminho), deixa de ser apenas o carteiro da vila para ter moradia fixa na vila, passa a fazer o papel quase que integral de Seu Madruga.
O formato do programa não mudou mais, continuou como sendo quadros longos, o que ajudou a trazer de volta a monotonia presenciada em 79.
Mas desta vez a coisa foi pior, o nível do programa daí em diante só caiu.
Remakes atrás de Remakes, com uma novidade, Jaiminho no lugar de Seu Madruga, mas convenhamos que Raul Padilla não se compara com Ramón Valdez e além do mais o personagem já havia se apresentado anteriormente como calmo e preguiçoso e agora havia se tornado agressivo, caloteiro e trambiqueiro.
É evidente que a cada ano que se passava, o programa ia se tornando cada vez menos engraçado, os atores começaram a engordar muito de 82 em diante, fazendo com que as cenas de pancadas, quedas, corridas, enfim, ação ficassem cada vez mais forçadas e reduzindo com o passar do tempo.
RGB apesar de tudo continuou com o programa, já sem a mesma graça, mas foi continuando, continuando, arrastou Chapolin até 91 e Chaves até 92, os últimos episódios já estando no cúmulo do ridículo.
O programa Chespirito então prosseguiu até 95 com 2 quadros principais e 2 esporádicos, Los Chifladitos (Chaparrón) e Los Caquitos (Chompirrás) como principais e Doutor Chapatin e Dom Caveira como esporádicos.
A decadência visível parecia não incomodar RGB e os atores que continuavam com o programa, só parando quando então a Televisa decidiu cancelar todas as séries para gravar exclusivamente novelas naquele estúdio, se não fosse isso acho que até hoje eles ainda estariam gravando.


A briga judicial com Maria Antonieta

Depois de alguns anos passados Maria Antonieta de las Nieves, a intérprete da Chiquinha, queria continuar fazendo a personagem em seu circo e programas de televisão também.
Para isso, foi até o cartório para registrar o nome do seu circo e registrando assim sua personagem como “Chillis” ao invés do original “Chillindrina”, mas chegando lá ela descobriu que RGB não havia renovado os direitos autorais dos personagens da série.
Então Maria registrou sua personagem como Chillindrina, pois apesar de RGB tê-la inventado, Maria Antonieta era quem dava características próprias à personagem e sentiu-se nesse direito.
Mas a ganância de RGB não permitiu que ela usasse o nome Chillindrina sem lhe pagar nada de direito autoral, foi ai então que ele entrou na justiça e pois em jogo a amizade de tantos anos com a atriz.


Conclusão e considerações finais

Bom, a coluna já está muito extensa, espero que gostem dela.
Procurei mostrar que RGB foi ganancioso sim em alguns momentos, ao prosseguir o programa Chespirito durante anos e anos na mais pura decadência, não respeitando assim o passado das séries Chaves e Chapolin, tentando extrair até a última gota do dinheiro que as gravações poderiam lhe fornecer e também ao não permitir a Maria Antonieta sem lhe pagar direitos autorais, mesmo ela tendo gerado já muito dinheiro para RGB.
E RGB continua querendo extrair até a última gota de dinheiro, não é a toa que ele escreveu já 2 livros sobre Chaves, temos também DVD’s nacionais e internacionais, produtos licenciados e agora, a estréia do Desenho Animado do Chaves, que para não pagar direitos autorais a nenhum ator, nem os chamou para dublar os personagens e a Chiquinha, que agora pertence à Maria Antonieta não foi incluída no desenho.
Como era de se esperar, o desenho também é feito de remakes, mas com a promessa de numa eventual segunda temporada serem criados novos roteiros.
Não sou contra o desenho e nem contra os produtos, mas isso deixa claro que RGB não rejeita qualquer centavinho que for, diferentemente de seu personagem Chaves que não é muito apegado ao dinheiro e vive feliz assim, RGB se mostra cada dia mais ganancioso.

Essa foi minha coluna de estréia, espero que tenham gostado! Um abraço e até a próxima.

Joanilson, colunista