MAGA
(por BrunoSamppa)
MAGA, nenhum "Chavesmaníaco" pode esquecer esse nome, essa era a
empresa de Marcelo Gastaldi, responsável pela dublagem de Chaves e Chapolin aqui no Brasil. Ele, junto com o grupo de dubladores da
MAGA deixaram sem dúvida um marco na história da dublagem no Brasil. Com dedicação e genialidade, fez de
Chaves e Chapolin os seriados dublados mais engraçados da televisão brasileira. Nenhum outro estúdio de dublagem conseguiu coisa tão genial e parecido. Marcelo
Gastaldi, foi o responsável pala seleção das vozes que iriam integrar o
elenco dos seriados, e Nelson Machado foi o responsável pela
tradução/adaptação e direção de mais de 70% dos episódios. Foi o casamento perfeito, a união do gênio com o gênio. Maga e
seus profissionais são responsáveis por clássicos e antológicos "cacos" da
série, fora os jeitos e trejeitos com que cada dublador desempenhou na maneira
de falar dos personagens, o que deixou as séries mais engraçadas ainda. A
dublagem não se prendia ao texto original, criava coisas em cima deste e mesmo assim nenhuma dublagem flui tão natural como a do Chaves, e o melhor, com
"sincro" perfeito. Apesar do estúdio Maga não ter possuído muitos dubladores, estes escolhidos se encaixaram perfeitamente nos personagens, o que por azar poderia talvez terem sido fracasso e não agradasse o público. Tivemos sorte, como o estúdio não tinha um "cast" muito grande de dubladores, em muitos filmes dublados pelo estúdio
eram usados o mesmos dubladores para vários personagens do mesmo filme, é o caso do filme Alligator (1985) onde só o
Gastaldi dublou 4 personagens diferentes mudando apenas o timbre e entonação da
voz. A Maga também não deixava passar quase nenhum filme em seu estúdio que não
fosse dublado as músicas contidas no mesmo, talvez seja porque sempre Gastaldi
sempre deu valor a nossa língua ou então fazia isso por prazer, já que era cantor antes de ser dublador. Nosso saudoso Marcelo Gastaldi faleceu aos 50 anos em 1995,
porém sua magia estará sempre em nossos ouvidos e corações, incorporado no nosso querido Chaves.
Marcelo, se estiver nos vendo aí no céu, um abraço bem forte desses fãs que te adoram.
Eternamente Gastaldi !. Fique com Deus, amigo.
MAGA, uma lenda
(por José Marcos -
RetroTV)
Infelizmente, a dublagem é uma arte que permanece anônima e pouco reconhecida no Brasil. Um bom exemplo disto, são Marcelo Gastaldi e Antônio Casale, ambos dubladores veteranos, que faleceram e terminaram no anonimato, deixando apenas saudades às suas famílias e às pessoas que tiveram a sorte de conhecê-los.
Marcelo Gastaldi, faleceu em 1995 aos 50 anos. Era diretor de dublagem na Maga Produções Artísticas, uma espécie de sub-empresa do Grupo Silvio Santos, através da qual, a TVS (atual SBT), realizava as dublagens de filmes, desenhos e séries, a serem exibidos pelo canal nas décadas de 80 e 90. Gastaldi também dublou. Iniciou sua carreira nos anos 60 em "A Noviça Voadora" (AIC-SP) e mais tarde em "Snoopy" (Maga-SP, na voz de Charlie Brown e do locutor), nas séries "Chaves" e "Chapolim" (Maga-SP, nas vozes dos mesmos) e Super Herói Americano (como Ralph).
A conduta da TVS, sempre foi estranha quanto aos seus dubladores. A Maga (abreviatura de Marcelo Gastaldi), apareceu logo após o fechamento dos estúdios Com Arte e Elenco, também ligados à emissora de Silvio Santos. As duas companhias de dublagens, utilizaram o mesmo "cast" de dubladores, os mesmos estúdios e equipamentos. Constantemente, as aberturas dos filmes, desenhos e séries, passaram a ser mutilados, omitindo o nome da empresa responsável pela dublagem. Talvez, pelo fato das dificuldades de comercialização do produto para com as outras emissoras. No início das produções, o locutor narrava - "Versão - Maga, dublado nos estúdios da TVS". Contudo, isso não justifica os cortes, vide o caso da Herbert Richers e da Rede Globo.
Enfim, o núcleo de dublagem do SBT foi extinto por completo no início dos anos 90, sendo tais profissionais descartados. Mas, no entanto, até hoje seus trabalhos são exibidos, como no caso de "Chaves", por exemplo. No caso do desenho "Snoopy", que ainda é exibido, foi realizada outra dublagem (VTI-Rio). Nos filmes da série "A Hora do Pesadelo", idem. É inaceitável assistirmos as emissoras lucrando com o trabalho de pessoas já falecidas (Gastaldi e Casale, por exemplo), sem pagarem os direitos de exibição às suas famílias, não reconhecendo-os como artistas! Os familiares de Gastaldi, passaram (passam) por necessidades financeiras!
Estes são apenas 2 exemplos, entre muitos outros, de artistas de talento muito divulgado, pouco reconhecidos e esquecidos pelas emissoras.
Por isso, pessoas como nós, admiradores desta arte, temos que sempre lembrar destas pessoas para que fatos deste teor não se repitam mais..."
Nelson Machado esclarece fatos:
[José Marcos (RetroTV):A conduta da TVS, sempre foi estranha quanto aos seus dubladores. A Maga (abreviatura de Marcelo Gastaldi), apareceu logo após o fechamento dos estúdios Com Arte e Elenco, também ligados à emissora de Silvio Santos. As duas companhias de dublagens, utilizaram o mesmo "cast" de dubladores, os mesmos estúdios e equipamentos. Na verdade a Maga não era um estúdio, e sim uma cooperativa de dubladores. Atualmente é o Estúdio
Marsh Mallow.]
Nelson Machado: A Maga, assim como a Elenco eram empresas particulares, a primeira do Gastaldi e a segunda do Felipe di Nardo. As duas empresas fizeram um acordo com a TVS. E
emissora forneceria equipamentos e técnicos e as duas empresas forneceriam elenco e diretores. As duas existiram ao mesmo tempo e pararam de negociar com a TVS ao mesmo tempo. E nenhuma das duas tinha nada de cooperativa. Eram empresas particulares, com proprietários que contratavam nossos serviços e nos pagavam no fim do mês como qualquer estúdio da cidade.
A Marsh Mallow não tem nada a ver com a Maga. Eram empresas diferentes. A Maga, quando a TVS desativou os estúdios, fez um acordo com o Mário Lúcio (antigo dono da Marsh) e passou a funcionar lá dentro. Mas a Maga era uma coisa e a
Marsh Mallow é outra.
[José Marcos (RetroTV): Constantemente, as aberturas dos filmes, desenhos e séries, passaram a ser mutilados, omitindo o nome da empresa responsável pela dublagem. Talvez, pelo fato das dificuldades de comercialização do produto para com as outras emissoras. No início das produções, o locutor narrava - "Versão: Maga. Dublado nos estúdios da TVS". Contudo, isso não justifica os cortes, vide o caso da Herbert Richers e da Rede Globo.]
Nelson Machado: Enquanto Elenco e Maga funcionaram dentro da TVS, o crédito das empresas entrava nas aberturas sim. Só foi retirado do Chaves, mesmo assim muito tempo depois, quando a TVS fez uma abertura nova.
[José Marcos (RetroTV): Enfim, o núcleo de dublagem do SBT foi extinto por completo no início dos anos 90, sendo tais profissionais descartados. Mas, no entanto, até hoje seus trabalhos são exibidos, como no caso de "Chaves", por exemplo. No caso do desenho "Snoopy", foi realizada outra dublagem (VTI-Rio). Nos filmes da série "A Hora do Pesadelo", idem.]
Nelson Machado: Os profissionais não foram descartados de nada porque não eram contratados de nenhuma das três empresas (TVS, Maga ou Elenco). Na época, como hoje, éramos todos free-lancers. Trabalhávamos lá e nos outros estúdios que existiam. Como hoje. Lá fechou? Realmente uma pena. Mas no dia seguinte estávamos na BKS, na Álamo, na
Marsh Mallow, etc...
[José Marcos (RetroTV): É inaceitável assistirmos as emissoras lucrando com o trabalho de pessoas já falecidas, sem pagarem os direitos de exibição às suas famílias, não reconhecendo-os como artistas! Os familiares de Gastaldi, passaram (passam) por necessidades financeiras!]
Nelson Machado: Isso é preciso discutir, mas não gosto dessa linguagem. Não quero direitos conexos porque eu ou minhas filhas vamos passar fome. Uma coisa dada assim é esmola. Quero os direitos conexos, por exemplo, porque são DIREITOS. Mas gostaria que todos nós dissemos que queremos direitos conexos por um motivo infinitamente maior e menos degradante do que a fome: QUEREMOS DIREITOS CONEXOS PORQUE QUEREMOS! Mas pra isso precisamos querer mesmo. E choramingando ninguém demonstra que quer nada.
[José Marcos (RetroTV): Estes é apenas um exemplo, entre muitos outros, de artistas de talento muito divulgado, pouco reconhecidos e esquecidos pelas emissoras.]
Nelson Machado: Acho que devemos fazer de tudo pra que essas pessoas não sejam abandonadas ou esquecidas, mas me deprime que sempre se diga isso em tom de piedade, com comiseração quanto ao artista em questão. As vozes que embalaram, embalam e vão embalar gerações devem ser mantidas na lembrança em nome do público, da História, da memória artística do país, e não em nome da solidariedade com "coitados".
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