Documentário "El Niño Que Somos" - por Bruno CH

Quando em 1969, o Canal 8 iniciou suas transmissões, lhe ofereceram um espaço no programa "Sábados De La Fortuna" e nele começou a apresentar o sketch "Los Supergênios De La Mesa Cuadrada" que o próprio Roberto diz ter sido uma paródia das mesas redondas. Chespirito escrevia os roteiros e encarnava o Dr. Chapatin, um velho distraído e burro no qual Roberto caracterizava a médicos e cientistas. Além de Roberto no sketch apareciam Rúben Aguirre, Ramón Valdez e Maria Antonieta de Las Nieves, a Chiquinha, que chegaram a formar parte de seu estrelar quadro de atores. Los Supergênios De La Mesa Cuadrada encantaram tanto ao público que os donos do canal decidiram que Roberto e seu grupo tivessem um programa somente deles. Chespirito criou novos sketchs e personagens, que foram aos poucos substituíndo os Supergênios.

Um dos seus novos personagens foi o "Chapolin Colorado", que começou a ser transmitido em 1970.

Chespirito - O Chapolin Colorado eu já havia desenhado a muito tempo atrás e havia oferecido a vários atores que felizmente se negaram a fazer dizendo que não lhe interessava. Digo felizmente porque assim eu mesmo pude fazer.

Cerca de um ano depois, Chespirito teve que cancelar o sketch dos "Los Chinfladitos" e recorreu a um material que havia sobrado de outro programa sobre crianças, a partir desse material surgiu o "Chaves". O sucesso da audiência de Chapolin e Chaves era tão grande que o diretor Emílio Azcarga ofereceu a Chespirito uma oferta tão grande para que deixasse o Canal 8 e fosse trabalhar no Telesistema Mexicano.

Chespirito - Então já com o Chapolin e Chaves aconteceu algo incrível, o programa ganhou do Canal 2, isso era mesmo incrível. De simples iniciantes, o programa do Canal 8 passou a ser o 1º da rede.

Roberto aceitou trocar de emissora, mas tinha que terminar o contrato com o Canal 8 que ainda lhe restavam 8 semanas.

Chespirito - Na mesma noite ou na seguinte, me telefonaram dizendo que o senhor Azcarga pedia que eu fosse imediatamente e que esquecesse as 8 semanas que restavam do Canal 8 ou que esquecesse do Telesistema e eu disse, esqueço o Telesistema pois o meu compromisso eu vou terminar de cumprir.

Azcarga apreciava a generosidade e honestidade de Chespirito e esperou que ele terminasse de cumprir o seu contrato com o Canal 8, mas os diretores sabendo disso, lhe dobraram o contrato aumentando para mais 52 semanas. Finalmente, Roberto e sua equipe de atores passaram a fazer parte do elenco de estrelas do Canal 2, quando em 1973 a Televisión Independente del México (Canal 8) e o Telesistema Mexicano (Canal 2) se juntaram para formar a Televisa.

[...]

Os pesonagens criados por Chespirito sempre eram trágicos e cômicos, pela sua personalidade e pelas situações que enfrentam. "Chaparrón Bonaparte" tinha suas "chiripiocas" nos momentos mais inusitados. Os planos de "Chómpiras", um ladrão de bairros, fracassavam sistematicamente por causa da burrice dele e de seus cúmplices e também por um azar que os perseguíam episódio à episódio. Mas o que ressalta de seus personagens é o espírito infantil que ainda o conserva. Seu gosto pelas brincadeiras, pelas paródias. Se deixando a engenharia perdeu a oportunidade de construir brinquedos engenhosos, como escritor e ator pôde criar personagens que brincam de serem ladrões, de serem heróis e de serem crianças. O Chapolin Colorado é uma paródia de heróis com super poderes. Pequeno, medroso e débil, mas que causa medo e risadas em seus inimigos. Vestido com um uniforme chamativo e armado com sua marreta biônica e com sua corneta paralisadora, dois artefatos de plástico, Chespirito julga a defender àqueles que se sentem ameaçados por inimigos tão burros e fracos como o próprio Chapolin. No Chaves, Chespirito mostra como convivem as crianças e os adultos em um meio. As crianças são interpretadas por adultos, e os adultos atuam como crianças, sendo dessa forma, um programa de crianças adultas. Em Chaves, Chespirito mostra como os adultos agem como crianças e como as crianças agem como adultos. Os pesonagens demonstram seus sentimentos com frases e gestos que são repetidos invariavelmente.

Edgar Vivar - As ações do Sr. Barriga era chegar na porta e falar "pague o alugüel!" ou "tinha que ser o Chaves mesmo!", são coisas que se repetem. As crianças lembram mais de um personagem quando o vêem pela segunda vez, pois já sabem o que vai acontecer. E se estiverem com um amiguinho que nunca tiver visto, dizem "veja! agora que vai passar a cena..."

Em seus programas, Chespirito mescla o drama social e a burrice cotidiana, o drama comovente e o humorismo. Os personagens, quase sempre membros de um grupo social em desvantagem, atuam seguindo a linha "cantinflesca" de viver rindo chorando ou de chorar rindo.

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A Bolaños, não lhe bastou o êxito que havia conseguido como escritor e ator. Começou a dirigir os seus programas e em alguns casos também a produzí-los.

Chespirito - Escrever, dirigir, atuar, são as três coisas que eu mais gosto. E como complemento gosto também de compor canções musicais mesmo que de música eu não saiba muito, mas tenho umas 40 canções.

Além disso, tinha tempo para o cinema e o teatro. Escreveu e adaptou pelo menos uns 50 filmes e em vários deles fez pequenos papéis.

Chespirito - A minha estréia nos filmes foram nos filmes que eu mesmo fiz. O primeiro deles foi o "El Chanfle" que escrevi, atuei e que foi dirigido por Enrique Segoviano. Eu somente dirigi as tomadas de futebol pois era o que eu realmente sabia e executei essas cenas. O filme rompeu todos os récordes de bilheteria que existiam.

Depois escreveu, dirigiu e atuou em "El Chanfle 2", "Charrito", "Don Ratón y Don Ratero" e "Música Del Viento". Todos foram sucesso de bilheteria. A comédia "11 y 12", a última que Chespirito fez, é a peça teatral mexicana que mais teve apresentações desde a temporada de estréia. 3.200 ao longo de 8 anos consecutivos. Roberto afirma que enjoou do êxito da fama, pois sua popularidade só chegou quando já era um homem maduro.

Chespirito - A popularidade só chegou à mim quando eu já tinha 40 anos, mas isso não deixou que eu gostasse como acontece com um boxeador que aos 18 anos sonha em ser o dono do mundo. Então eu ia me dando conta, pensando friamente calculado como o Chapolin Colorado, da posição que eu tinha no âmbito da atuação.

No entanto, o excesso de trabalho e as irritações constantes, repercutiram na sua vida familiar e afetaram a relação com a sua esposa. Roberto era um homem apaixonado por sua mulher e acostumado a brincar e ler histórias pros seus filhos, mas as ausências constantes o levaram a se separar de Gracielle.

[...]

Em 1978, Roberto começou um romance com Florinda Meza, com quem vive atualmente.

Florinda Meza - Era muito grande a sua cortesia, mas andava com tantas que eu não pensava em ser mais uma em sua lista nem de brincadeira, pois se algo falhasse eu acabaria sem emprego e sem ele, portanto dei muito trabalho ao pobre.

Roberto e seu grupo foram a todos os países da América Latina com excessão de Cuba.

Chespirito - Fomos em tudo e todos, em todos os países subdesenvolvidos fomos récordes de público em todas as classes.

Edgar Vivar - Na Colômbia participamos da "Marcha da Solidariedade", um desfile onde todos pagavam 1 peso para sair na rua desfilando com os outros e a resposta do público foi comovente, estarrecedora, pois juntou 3 milhões de pessoas.

Os programas de Chespirito foram transmitidos em diversos países.

Chespirito - Uma vez me perguntaram qual era a fórmula do sucesso e eu disse que não, que não conhecia nenhuma, mas em troca conhecia muitas fórmulas de fracasso e a melhor delas era a de querer agradar à todo mundo. Essa é a fórmula perfeita para ir ao fracasso.

FIM

Este excelente documentário, embora tenha somente 42 minutos e várias informações já conhecidas, vale a pena ser assistido. As imagens e cenas inéditas raras, além da sua montagem fazem este documentário ser imperdível. Algumas coisas eu não transcrevi pois achei um tanto desnecessárias, onde tiver um [...] é porque eu pulei algum segmento. Vale mesmo a pena conferir na íntegra.

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