Remakes: um mal necessário - por Pepe

Desde os primórdios do meio CH na internet, discute-se bastante a respeito de histórias que contam com mais de uma versão. Isso, a começar pelos episódios clássicos de Chaves – como Seu Madruga Pintor, O Regresso da Chiquinha e As Novas Vizinhas – e alguns poucos de Chapolin, como A Troca de Cérebros e A Casa Mal-assombrada.

De fato, a maioria dos episódios CH que se incluem entre os famosos Episódios Perdidos são 1ª ou 2ª versões de histórias que são exibidas hoje pelo SBT. Mesmo essas, sendo histórias semelhantes às que estão no ar, os fãs ainda clamam para que esses episódios voltem a ser exibidos, até pra conferir outras versões, com atores diferentes, julgar quem teve melhor performance em determinado papel etc. Existe ainda o outro lado da moeda (à partir de 1980), em que as histórias foram regravadas por diversas vezes, por diferentes personagens e até mesmo em diferentes quadros. Ex.: o 3º bloco do episódio de Chaves Animais Proibidos foi “reencenado” em um quadro de Chómpiras, denominado Hidrofobia Generalizada. Temos aí dois diferentes pensamentos com relação aos remakes: o pré-anos 80 (acabei de inventar esse nome rsrsrs) e o pós-anos 70, período que perdurou-se até 1995.

Exemplos de remakes: (fotos do site chespirito.org)

1974 1978
A troca de bolos

1974 1979
A cruz vermelha

1974 1976
A casa mal assombrada

Algumas opiniões CHmaníacas entram em conflito ao se tratar desse assunto. Embora a grande maioria não se manifeste contra os remakes, alguns dão opiniões absurdas (ao meu modo de ver), dizendo que a quantidade excessiva de remakes que foram gravados deve-se ao fato de que a criatividade do mestre Chespirito havia se esgotado. Outros reprovam essas versões por simplesmente não conseguirem ver, por exemplo, o Jaiminho brigando com as crianças por elas se apossarem (por empréstimo) de seus objetos, sendo que com o Seu Madruga isso era muito mais cômico e divertido.

Realmente, esse tema tem seus prós e contras. Para nós, que acompanhamos as séries há 22 anos, torna-se estranho ver reedições dessas histórias. Sobretudo àqueles que acompanham os seriados em emissoras estrangeiras, percebendo que Chespirito chegou a gravar uma mesma história por 2 anos seguidos!


Cenas de Dona Neves pintora, de 1980 e Seu Madruga pintor, de 1981. Exemplos de remakes “em excesso”.

Olhando por esse lado, realmente se percebe aí “falta de criatividade”. Mas quando se discute Chaves & Chapolin, deve-se impreterivelmente enxergar com os olhos voltados para a época em que eles eram gravados, e não para os dias de hoje. Lembre-se que Chespirito, enquanto tinha seus programas, jamais pensou que as séries poderiam atravessar o século XXI, mas apenas se baseava no que estava acontecendo naquele momento. Vale ressaltar também que os seriados, até 1995, não eram reprisados no México. Pensando dessa forma, colocando-se no lugar dos telespectadores dessas épocas, é absolutamente válido e até mesmo aceitável que Chespirito “fizesse” novamente histórias que já haviam sido gravadas há um ou dois anos atrás. Afinal, se nós temos saudades em rever os episódios perdidos de mesmíssimo roteiro, imagine como os fãs do período em que CH era gravado não iam se sentir ao antever que, depois de assistir um A Cruz Vermelha, nunca mais veriam tal história novamente?

É claro que algumas dessas dezenas de versões foram bem mal-sucedidas, como é o caso de Matando Aula, clássico de 1973 e sua versão de 1979. Outros foram muito bem vindos (e vistos), como O Aniversário do Seu Madruga, de 1975, e sua versão posterior (e última, diga-se de passagem), gravada em 1981, já no Programa Chespirito. Se as histórias iam ser bem refeitas ou não por aqueles que estavam incumbidos disso, Chespirito jamais teria como adivinhar.

Mas enfim, somos fãs de uma geração que vai suceder essa do pré-80 e pós-70, não é mesmo? Portanto, que aproveitemos e saibamos sempre ver com bons olhos a todas essas obras maravilhosas, porque se algum dia elas deixarem de existir, aí sim teremos do que reclamar...

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