REVISTA SBT Edição nº 17 - reportagem de capa
| Roberto Gómez Bolaños: O eterno Chaves |
O famoso seriado mexicano entrou no ar em 1984 e acabou se tornando umas das maiores atrações da emissora até hoje. Criado e interpretado por Roberto Gómez Bolaños, espalhou por mais de 50 paises seus bordões como "foi sem querer, querendo", "isso, isso, isso", ou "pipipipipipi" (que era seu jeito de chorar). Campeão de audiência em qualquer horário que vá ao ar na emissora de Silvio Santos, Chaves também continua fenômeno no México, onde faz sucesso há 30 anos. Nem o próprio Bolaños sabe explicar o porquê: "Ele é apenas um menino órfão, faminto, desajeitado e carente. Adora sanduíche de presunto e vive escondido no barril. Talvez Chaves represente as crianças pobres do mundo inteiro, daí ser tão querido..."
Toda a sua turma também é aplaudida pela garotada, principalmente Kiko (Carlos Villagrán), Chiquinha (Maria Antonieta de Las Nieves), Dona Florinda (Florinda Mezza), professor Girafales (Ruben Aguirre) e Seu Barriga (Edgar Vivar). Eles foram criados por Roberto, mas acabaram ganhando vida própria: "Os artistas interpretavam esses personagens muitas vezes e deixaram o seriado para terem seus próprios programas como Kiko e Chiquinha, mas acabaram voltando. Ainda hoje eles vivem no México e outros países", afirma. Na verdade, Kiko deixou o "Chaves" por outro motivo: Carlos Villagrán era casado com Florinda Meza nos primeiros anos do programa, mas ela e Bolaños se apaixonaram e estão juntos até hoje. Os dois atores ficaram quase vinte anos brigados, mas fizeram as pazes quando Roberto completou 70 anos e foi alvo de uma das maiores homenagens da TV do México, ano passado. Pouca gente sabe, mas Chaves joga futebol porque sei criador sonhava em ser um craque de seleção: "Até que jogava bem, mas o meu problema era o pouco peso, coisa que Zico, do Brasil, também teve no começo da carreira, porém superou com uma dieta especial. Eu não insisti porque cheguei a conclusão que o mundo não estava precisando de mais um futebolista e entrei para o boxe amador". O tempo mostrou que seu destino era ser artista, assim como certos colegas: "Alguns vieram de outras áreas. Por exemplo, o Seu Barriga era médico na vida real, enquanto Kiko era fotógrafo e jornalista. Já Florinda e o Girafales eram artistas, mas não de TV. Ela cantava ópera e ele atuava como ventríloqüo em circo.", conta Bolaños.
Roberto também inventou o super-herói trapalhão e raquítico, chamado Chapolin, que sempre se metia em encrenca na luta contra o mal. Mais um grande sucesso em sua carreira, mas Chaves continua em primeiro lugar no coração de seu criador e do público: "Ele já fez rir mais de 300 milhões de telespectadores em 120 países", diz orgulhoso. Apaixonado pelo Brasil, já esteve por aqui, mas sempre secretamente: "Fiz vagens a passeio, não queria trabalhar ou dar entrevistas. Fui conhecer Cataratas do Iguaçu, que achei um espetáculo deslumbrante da natureza, e também o Rio de Janeiro", confessa. Aposentado da TV há cinco anos e avo de doze netos, Bolaños vive em uma confortável casa na Cidade do México, ao lado da mulher, para quem é só elogios: "O seriado me deu a melhor coisa da minha vida, que foi meu casamento com Florinda!". Continua a escrever e fazer shows, sempre tendo muito cuidado com a platéia infantil: "Sempre evito fazer piadas com raças, religiões, opções sexuais e mulheres". É um homem e um artista de bem com a vida: "Deus me deu mais coisas boas do que merecia!".